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Bióloga que pesquisa áreas alagáveis da Amazônia recebe principal prêmio científico do País




Cerimônia realizada na Escola Naval também marcou o lançamento da nova Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação

A bióloga Maria Teresa Fernandez Piedade, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e referência nos estudos sobre áreas alagáveis da região Amazônica, recebeu na quarta-feira (7), na Escola Naval, no Rio de Janeiro, o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para a Ciência e Tecnologia 2026, considerado a principal honraria científica do País.

Criado em 1981 e rebatizado em 1986, o Prêmio Almirante Álvaro Alberto é concedido anualmente a pesquisadores de destaque, de forma alternada, em três grandes áreas do conhecimento.

A premiação é promovida pela Marinha do Brasil (MB), pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação Conrado Wessel.

Em 2026, a área contemplada foi a de Ciências da Vida. Além do diploma e da medalha, a premiação incluiu R$ 200 mil e uma visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), em São Paulo, onde a Marinha desenvolve o protótipo da planta nuclear do primeiro submarino nuclear convencionalmente armado do Brasil.

Durante a cerimônia, o CNPq também concedeu títulos a pesquisadores eméritos e menções especiais de agradecimento. O evento ainda marcou a diplomação de novos membros titulares e correspondentes da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

O Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) enfatizou o papel da ciência para a soberania e o desenvolvimento nacional, ao abordar a importância da pesquisa e da inovação para a proteção do País. 

“Não há soberania robusta sem base científica consistente. Não há capacidade estratégica autônoma sem pesquisa, inovação, capacitação tecnológica e formação de recursos humanos de excelência. No mar, na Amazônia, na Antártica, no Pantanal e nos campos da energia, saúde, informação, inteligência artificial e tecnologias críticas, a ciência amplia a presença do Estado, fortalece a capacidade nacional de resposta e converte conhecimento em proteção da sociedade”, disse em seu discurso.

Cinco décadas dedicadas à Amazônia

A vencedora desta edição foi a bióloga Maria Teresa Fernandez Piedade, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e bolsista de produtividade do CNPq. Há quase 50 anos, ela se dedica a pesquisas sobre ecossistemas de áreas alagáveis da Amazônia, espécies arbóreas e plantas aquáticas.

A pesquisadora recebeu a medalha das mãos da Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. O diploma e o prêmio em dinheiro foram entregues pelo Presidente do CNPq, Olival Freire Junior.

A professora também recebeu o convite para visitar o Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA) e o tradicional “Farol do Conhecimento”, símbolo da ciência e da inovação, entregue pelo Chefe do Estado-Maior da Armada.


Professora Maria Teresa Fernandez Piedade destaca a importância da pesquisa científica durante cerimônia de premiação – Imagem: Suboficial Ronaldo/Marinha do Brasil

Ao relembrar sua trajetória acadêmica e profissional, a pesquisadora destacou a vocação que a aproximou da ciência e sua relação com a Amazônia.

“Eu sempre quis e tive uma curiosidade natural por água e organismos associados a ela. Quando decidi fazer o curso de Biologia, imediatamente pensei que queria fazer pesquisa e, de preferência, na Amazônia. Era um desejo que, naquela época, parecia apenas um sonho. Nesse sentido, considero-me uma pessoa realizada, porque consegui seguir a trilha que minha vocação, talvez meu próprio desejo me indicou”, relembrou a pesquisadora.

A professora lidera o grupo “Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas” (MAUA), responsável pela criação do “PELD MAUA”, programa voltado a pesquisas de longa duração sobre biodiversidade e os impactos das mudanças climáticas na Amazônia.

Ao longo da carreira, também coordenou projetos nacionais e internacionais, com destaque para iniciativas de cooperação científica entre Brasil e Alemanha desenvolvidas ao longo de três décadas.

A Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou que o Prêmio Almirante Álvaro Alberto reforça o compromisso do MCTI com o fortalecimento da ciência nacional e com a valorização de pesquisadores que contribuem para o desenvolvimento do País.

Ao comentar a escolha de Maria Teresa Fernandez Piedade como vencedora da edição de 2026, a Ministra destacou a importância de pesquisas voltadas à preservação da Amazônia e à sustentabilidade ambiental.

“O legado do Almirante Álvaro Alberto permanece vivo ao reafirmar que soberania e prosperidade dependem da capacidade de uma nação produzir ciência, desenvolver tecnologia e transformar conhecimento em desenvolvimento, inovação e qualidade de vida para sua população. E ganha ainda mais força quando reconhece o papel fundamental das mulheres cientistas, que seguem abrindo caminhos e ampliando horizontes para as próximas gerações”, afirmou a Ministra.

Ministra Luciana Santos destacou a importância da ciência e da inovação para o desenvolvimento do País durante cerimônia do Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2026 – Imagem: Suboficial Ronaldo/Marinha do Brasil
Nova estratégia vai orientar investimentos em ciências até 2034

Durante a cerimônia, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI), documento que define as prioridades da política científica e tecnológica brasileira para o período de 2024 a 2034.

“A nova ENCTI 2024-2034 tem como lema ‘CT&I para um Brasil Justo, Desenvolvido e Soberano’ e é resultado da maior Conferência Nacional de CT&I já realizada no País. A Estratégia foi precedida por encontros municipais, estaduais, regionais, temáticos e livres, culminando na Conferência Nacional, com a participação de mais de 100 mil pessoas em todo o Brasil e a realização de 270 atividades. A ENCTI é um instrumento de Estado responsável por definir os grandes temas, diretrizes e prioridades, articulando ciência, tecnologia, indústria, território e sociedade em uma agenda integrada de desenvolvimento nacional”, afirmou a Ministra.

Representantes de instituições públicas, científicas e acadêmicas participaram da construção da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2024-2034 – Imagem: Suboficial Ronaldo/Marinha do Brasil

O presidente do CNPq, Olival Freire Junior, destacou o legado do Almirante Álvaro Alberto, que dá nome à honraria, para a ciência brasileira e a importância histórica da criação do Conselho para o desenvolvimento científico do País.

"Pessoas como o Almirante Álvaro Alberto são aquelas que promovem uma mudança de paradigma em um país. Nós, cientistas brasileiros, devemos muito a ele. O CNPq, criado por ele, permitiu consolidar o Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia ao longo de 75 anos. Por isso, o CNPq concede o seu prêmio de Ciência mais prestigioso com o nome de Almirante Álvaro Alberto", explicou Olival.

Ao se referir à premiada desta edição, enfatizou sua trajetória de dedicação à pesquisa.

"É uma bióloga que pesquisou muito e lutou, inclusive, contra preconceitos, mas foi uma brava cientista, com absoluta certeza, na qualidade do trabalho que realizava. Espero que o prêmio conquistado pela professora Piedade sirva de exemplo para todos os cientistas brasileiros, especialmente para as mulheres, a fim de incentivá-las a se engajarem em uma ciência de ponta na qual o País é capaz de se destacar.”

O Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria, destacou que o Prêmio Almirante Álvaro Alberto presta homenagem a uma das figuras mais visionárias da ciência brasileira. Segundo o Almirante, Álvaro Alberto foi pioneiro na estruturação da pesquisa científica no País e permanece como símbolo da relação histórica da Marinha com a ciência, a tecnologia e a inovação.

“A Marinha entende que é pelo desenvolvimento científico e tecnológico que o Brasil pode alcançar autonomia em áreas estratégicas, principalmente na defesa. Em um cenário de ameaças à paz, autonomia e soberania são conceitos diretamente ligados. O pensamento do Almirante Álvaro Alberto sintetiza isso na ideia de soberania pela ciência. Para a Marinha, é motivo de honra participar de uma premiação que valoriza a ciência como projeto estratégico para o País”, disse o Almirante de Esquadra Rabello.

Ainda durante a cerimônia, foram entregues a menção especial de agradecimentos – concedida anualmente pelo CNPq a personalidades e instituições que contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento e a difusão da ciência no Brasil – e os títulos de Pesquisador Emérito do CNPq, esta distinção, por sua vez, destinada a cientistas reconhecidos pelo conjunto de sua obra e por sua relevância para a comunidade científica.

A Presidente da Academia Brasileira de Ciências, Helena Nader, destacou a importância do Prêmio Almirante Álvaro Alberto para o reconhecimento da produção científica nacional e ressaltou a trajetória acadêmica da pesquisadora Maria Teresa Fernandez Piedade, vencedora da edição 2026.

“O legado do Almirante Álvaro Alberto permanece atual justamente por reconhecer que o desenvolvimento científico é um dos caminhos para a prosperidade do País. Estamos felizes com a justa homenagem à pesquisadora Maria Teresa Fernandez Piedade, que tem uma trajetória extraordinária. Suas cinco décadas de dedicação à ecologia amazônica não apenas ampliaram nosso conhecimento sobre os ciclos de inundação, mas consolidaram o Brasil como protagonista global no estudo de áreas alagáveis. Parabéns à Marinha do Brasil, ao MCTI e ao CNPq pela escolha dessa grande cientista brasileira para a premiação”, ressaltou Nader.

Presidente da Academia Brasileira de Ciências, Helena Nader destacou a importância dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento do País – Imagem: Suboficial Ronaldo/Marinha do Brasil

O evento reafirma o compromisso da Marinha com o fortalecimento da ciência, da tecnologia e da inovação, reconhecendo a pesquisa e o conhecimento como elementos fundamentais para o desenvolvimento do País, a soberania nacional e o futuro do Brasil.

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Fonte: Agência Marinha de Notícias
Acesse: https://www.agencia.marinha.mil.br/

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