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Com imersão de cinco dias, Marinha e Forças de Segurança formam cerca de 70 jornalistas de todo o País em áreas de combate e em emergências


Terceiro CCJACE alcança marca histórica e proporciona a comunicadores de 25 estados e do Distrito Federal vivências práticas em blindados, navios e áreas de crise

 

Por Capitão de Corveta (T) Fabrício Costa, Primeiro-Tenente (RM2-T) Jéferson Cristiano, Primeiro-Tenente (T) Danielle Veras e Segundo-Tenente (RM2-T) Edvane Lima
Rio de Janeiro/RJ

A Marinha do Brasil (MB) concluiu com êxito a terceira edição do Curso de Cobertura Jornalística em Áreas de Combate e em Emergências (CCJACE). Realizado em parceria com órgãos de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro, Polícia Militar (PMERJ), a Polícia Civil (PCERJ) e o Corpo de Bombeiros (CBMERJ), o treinamento ofereceu uma imersão profunda e prática aos profissionais de imprensa de todo o território nacional.
Conduzido pelo Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval (COpPazNav), o curso registrou números expressivos, pois, a partir de um recorde de 435 inscrições, foram selecionados aproximadamente 70 jornalistas e estudantes de comunicação, oriundos de 25 estados brasileiros e do Distrito Federal. Com esta turma, o CCJACE atinge a marca histórica de cerca de 170 alunos capacitados desde a sua criação.
Almirante Carlos Chagas ministrou a aula magna – Imagem: Sargento Borges/Marinha do Brasil

A jornada de cinco dias começou na segunda-feira (13) com as medidas administrativas necessárias para o início da imersão. Logo após, os alunos assistiram à aula magna ministrada pelo Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra Carlos Chagas, e à palestra sobre a Comunicação na MB, conduzida pelo Diretor do Centro de Comunicação Estratégica da Marinha (CCEM), Vice-Almirante Vagner Belarmino. À tarde, o desafio ocorreu na Pista de Liderança, onde os jornalistas aprenderam a liderar e puderam colocar suas emoções à prova em um ambiente controlado, mas exigente. Foi o momento de avaliar suas capacidades físicas e psicológicas sob pressão e de fortalecer a união enquanto equipe para os desafios da semana.
 
Pista de Liderança exigiu esforço máximo por parte dos jornalistas – Imagem: Sargento Tonetti/Marinha do Brasil

A terça-feira (14) aprofundou a técnica e trouxe grande realismo tático. Após a palestra Descomplicando a Marinha, a turma conheceu a Escola de Drones, onde pôde utilizar tecnologia de realidade virtual para simular um rigoroso treinamento com aeronaves remotamente pilotadas de combate. Na sequência, as instruções do 2º Batalhão de Infantaria de Fuzileiros Navais (Batalhão Humaitá) assumiram o protagonismo do dia, elevando a tensão em uma das etapas mais importantes e imersivas do curso, quando os repórteres foram feitos reféns em uma experiência realista de estresse e, logo após, foram libertados em uma ação tática de resgate de alta precisão executada pelas tropas de Fuzileiros Navais.

Escola de Drones mostrou um pouco da tecnologia de ponta da Marinha – Imagem: Sargento Tonetti/Marinha do Brasil

A imersão exige controle emocional e técnica, características que a assessora de comunicação do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), Bruna de Araujo, valoriza. “Para nós, jornalistas, que em algum momento podemos entrar em uma área que pode ter um combate ou emergência, esse curso está sendo essencial. Estamos adquirindo conhecimentos para saber nos proteger, ao mesmo tempo em que pegamos as informações para levar à população de forma direta e correta”, ressaltou a jornalista.
Após o resgate pelas tropas, o grupo adentrou a Pista de Conduta em Área Urbana (PCAU). O local simula fielmente uma comunidade, e a progressão dos alunos no terreno foi acompanhada por militares engajados em um exercício tático simulado sob condições de confronto. Durante o percurso, os jornalistas se depararam com um cenário de combate realístico, no qual precisaram aplicar a técnica de torniquete em um soldado ferido, demonstrando a importância do controle emocional diante de uma baixa no terreno. A dinâmica exigiu que os alunos atuassem em tempo real, exercendo o papel de repórteres na cobertura de uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) ou missão humanitária. Ao final, realizaram um embarque técnico na Viatura Blindada 8x8 Piranha para simular a exfiltração, ou seja, a fuga segura daquela área de conflito.
 
Incursão foi realizada na Pista de Conduta em Área Urbana – Imagem: Sargento Tonetti/Marinha do Brasil

No período da tarde, a turma se deslocou até a Cidade da Polícia Civil, localizada no bairro de Benfica, no Rio de Janeiro (RJ). Neste complexo, os alunos assistiram a uma palestra com agentes do Esquadrão Antibombas, pertencente à Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da PCERJ, onde puderam observar e analisar diversos modelos de artefatos explosivos improvisados. A instrução foi seguida por um exercício com um cão farejador, que localizou com precisão o material oculto. Um dos momentos marcantes ocorreu quando a estudante de jornalismo Giovanna Zanetti, da Faculdade Cásper Líbero, de São Paulo (SP), realizou a remoção do artefato utilizando o traje antibombas, equipamento de proteção que pesa 42 quilos. “A roupa tem quase o meu peso e dá muito calor. O trabalho exige muito preparo, não só físico, mas mental também. Dá para valorizar muito mais quem faz isso, com certeza”, admitiu. A atividade culminou com uma detonação controlada, o que permitiu aos alunos entenderem o perigo latente enfrentado pelos agentes de segurança pública.
Jornalistas puderam sentir o peso do equipamento utilizado pelo CORE – Imagem: Sargento Tonetti/Marinha do Brasil

Para o Coordenador da CORE, Delegado Fabrício Oliveira, o curso cumpre um papel fundamental de transparência. “Quando conseguimos apresentar o nosso trabalho e as dificuldades enfrentadas, a sociedade ganha, pois conseguimos mostrar a realidade da polícia, que muitas vezes não chega ao conhecimento do próprio jornalista ou da população”, pontuou o Delegado, reforçando que a integração entre as instituições fortalece as ações conjuntas de segurança pública no Rio de Janeiro (RJ).
Para a estudante de jornalismo Kailane Gomes, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a vivência amplia a visão sobre riscos operacionais. “O curso é muito surpreendente. Creio que vou sair uma profissional muito mais capacitada, principalmente porque minha pesquisa é sobre migrantes em situação ilegal, o que provavelmente me levará a áreas de risco. Já sei, agora, como me proteger nesses locais”, destacou.
 
Alunos conheceram de perto a atuação do BOPE – Imagem: Sargento Tonetti/Marinha do Brasil

A adrenalina continuou na quarta-feira (15), voltada ao cenário de crise urbana. A manhã foi dedicada ao Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da PMERJ, localizado no bairro Laranjeiras. Após uma palestra instrucional, os repórteres sentiram na pele a emoção e a tensão de realizar uma incursão tática, acompanhando os passos e a rotina dentro da comunidade Tavares Bastos, uma área pacificada pela unidade. A representante da Polícia Científica de Goiás (GO), Giovana Cruz, que está grávida de três meses, evidenciou a importância da parceria entre os órgãos. “Eu já trabalho numa força policial, na Polícia Científica do Estado de Goiás, e pra mim está sendo enriquecedor, porque em Goiás o cenário é totalmente diferente daqui, mas então nós trazemos e agregamos esse tipo de conhecimento que temos aqui para lá”.
Ampliando a visão sobre a importância de interagir com diferentes corporações, a jornalista do portal R7, Gislene Bastos, de Santa Catarina (SC), enfatizou o ganho técnico do curso. “Isso que encontramos aqui no curso, tanto a parte que fazemos com o pessoal da Marinha, como também aqui com essas instituições que foram convidadas a participar como parceiras, não temos no dia a dia, nem na formação universitária. Então, é algo que realmente traz um complemento, traz uma clareza maior para entendermos tudo o que ocorre durante uma cobertura e, também, uma responsabilidade maior para informarmos de forma ainda mais qualificada, não se deixando levar muito pela emoção e estando preparados até para auxiliar”.

 

Técnicas de combate a princípio de incêndio foram usadas no CBMERJ – Imagem: Sargento Tonetti/Marinha do Brasil

No período da tarde, a instrução ocorreu na Cidade do Fogo, do CBMERJ, localizada no bairro de Guadalupe, no Rio de Janeiro (RJ). Lá, a turma enfrentou novos desafios, pois os alunos treinaram o combate direto a princípios de incêndio, o manuseio correto de extintores e técnicas de progressão em ambientes sinistrados e colapsados, lidando com a desorientação e a dificuldade de áreas de baixa visibilidade. O aluno Igor Patrick, repórter do South China Morning Post, relembrou uma experiência de vida transformadora após o treinamento. “Eu comentei com os colegas que fiz metade desse treinamento em um curso de brigadista, só a parte de extintor, e duas semanas depois uma panela que tinha lá em casa pegou fogo. Foi uma instrução que recebi aqui que basicamente salvou meu apartamento e, potencialmente, a minha vida. Porque não tinha extintor no corredor, eu me lembrei do que o pessoal falou: se não tem extintor, pega uma toalha molhada e joga em cima”, contou Igor.

 
Instruções sobre NBQR foram dadas na Ilha das Flores – Imagem: Tenente Jéferson Cristiano/Marinha do Brasil

O ápice do treinamento marcou a quinta-feira (16). O dia começou com instruções sobre Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica (NBQR) na Ilha das Flores, em São Gonçalo (RJ), onde os comunicadores visualizaram os diversos equipamentos de proteção e acompanharam uma demonstração de descontaminação. Em seguida, o grupo realizou o embarque nos robustos Carros Lagarta Anfíbio (CLAnf), símbolo máximo do CFN. Essas viaturas evidenciaram sua vital importância estratégica e humanitária recentemente, ao serem amplamente empregadas pela Marinha no resgate e apoio às vítimas das severas enchentes que atingiram a região Sul do País, no Rio Grande do Sul. Durante a travessia, os veículos navegaram até encontrar o Navio de Desembarque de Carros de Combate (NDCC) Almirante Saboia, que estava atracado na Base Naval do Mocanguê, em Niterói (RJ). A bordo, os alunos percorreram os compartimentos e puderam conhecer a impressionante capacidade logística da embarcação, compreendendo como navios desse porte operam não apenas em conflitos, mas como verdadeiros hospitais e centros de suprimento flutuantes em desastres naturais, mantendo a prontidão da Esquadra para emergências reais.
Para o repórter Mateus Alves dos Santos, do G1 Rondônia, a atividade foi um marco. “É uma experiência inédita para mim, que sou acostumado com o bioma amazônico. Vir ao litoral e ter meu primeiro contato com a estrutura da Marinha é algo que jamais vou esquecer. O trajeto a bordo mostrou a grandiosidade e a capacidade do sistema operacional da Força”, avaliou. A expectativa pela experiência com os meios navais também foi compartilhada pela jornalista Alcicarla Azevedo, do jornal Diário do Pará. “Até então, minha grande expectativa era o blindado. Viver essa experiência, que é super diferente da minha realidade, e conhecer como funciona o trabalho da Marinha e a evolução desses veículos em alto mar, está sendo excelente”, explicou.

 

Embarque nos CLAnf foi um dos pontos altos do evento – Imagem: Tenente Jéferson Cristiano/Marinha do Brasil

Para o jornalista William Medeiros, da TV Ponta Negra (SBT), no Rio Grande do Norte, o curso funciona como ferramenta de credibilidade. “Esse curso dá um pouco mais de capilaridade e, também, de credibilidade para que a gente possa atuar de forma mais correta e passar a informação de forma precisa para quem nos acompanha diariamente. Além de ajudar as instituições de segurança no trabalho delas, compartilhando informação de qualidade e com respeito”.

 

A turma pode conhecer as dependências do NDCC Almirante Saboia – Imagem: Tenente Jéferson Cristiano/Marinha do Brasil

A sexta-feira (17) consolidou o aprendizado prático. Após a apresentação dos grupos de trabalho, o encerramento do curso contou com uma palestra especial sobre a atuação de correspondente de guerra, ministrada pela renomada jornalista Sônia Bridi. Em um relato que deixou os alunos fascinados, Sônia compartilhou suas ricas vivências pelo mundo e os desafios psicológicos e logísticos da profissão. “Os maiores riscos que eu já corri não foram na hora de estar cobrindo guerra ou um conflito armado, os maiores riscos acontecem perto de casa. Pelo menos três vezes eu fiquei no meio de fogo cruzado e não tinha preparo nenhum para enfrentar aquilo, não sabia qual era o procedimento. A gente tinha uma ingenuidade, uma inocência extremamente perigosa. Então, o que vocês fizeram aqui, recebendo esse treinamento, foi provavelmente a coisa mais importante que vocês fizeram pelas suas carreiras, que é se manter vivo para poder reportar”.

 

Jornalista Sônia Bridi fala sobre a importância do curso – Imagem: Sargento Tonetti/Marinha do Brasil

A jornalista Carolina Saraiva, da TV Alterosa (MG), se identificou com a fala. “Eu tenho mais de 17 anos de profissão, eu tenho 17 anos de televisão, já fui repórter, já cobri, inclusive, áreas de confronto, já estive em situações de tragédias emergenciais, e o que eu aprendi hoje, eu não tinha visto em lugar nenhum. E o que eu aprendi aqui na Marinha, em todos esses dias de curso, eu não aprendi nem na faculdade, nem no tempo que eu tive como jornalista na televisão. É um curso sensacional, que eu indico para qualquer um, simplesmente façam”.
Durante o evento, o Diretor do CCEM, Vice-Almirante Vagner Belarmino, destacou a grandeza da Força e a importância de comunicar esses projetos à sociedade. “Os programas movimentam muitas empresas, muitos empregos diretos e indiretos, e muitos impostos”, salientou o Almirante ao citar a construção das fragatas Classe Tamandaré em Itajaí (SC).

Almirante Belarmino enfatizou a importância do mar para o Brasil – Imagem: Sargento Borges/Marinha do Brasil

Ao avaliar a conclusão do CCJACE, o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra Carlos Chagas, enfatizou a importância de alinhar as instituições e salientou o quão vital é a capilaridade da turma. “Esse curso chega à sua terceira edição com muito sucesso, são quase 80 jornalistas participando. Tratamos de situações de combate, conflito e emergência. Quanto melhor uma profissão compreender o trabalho da outra, melhor será o resultado. Procuramos dar uma abrangência bastante nacional, são 25 estados e mais o Distrito Federal participando, e tudo isso gera a compreensão do trabalho da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais”, concluiu.








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