Operação Atlas 2025 encerra ciclo com grande exercício anfíbio da Marinha do Brasil no litoral sudeste
Realizada no final de 2025, a fase final da Operação Atlas 2025, denominada Atlas Anfíbia, marcou o encerramento de um dos mais amplos exercícios conjuntos das Forças Armadas brasileiras nos últimos anos. Conduzida pelo Ministério da Defesa e executada pela Marinha do Brasil, a etapa ocorreu entre 26 de novembro e a primeira semana de dezembro, na área marítima compreendida entre a Ilha de Marambaia, no Rio de Janeiro, e a localidade de Itaoca, no Espírito Santo.
O objetivo central da Atlas Anfíbia foi exercitar operações de desembarque anfíbio em ambiente simulado de alta complexidade, envolvendo o emprego integrado de meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais. O exercício simulou a conquista e consolidação de uma praia hostil, um dos cenários mais exigentes do espectro das operações militares, especialmente no contexto da defesa do litoral e da projeção de poder a partir do mar.
Ao todo, cerca de 3.400 militares participaram da operação, incluindo aproximadamente 1.500 fuzileiros navais. Foram empregados navios de guerra, helicópteros, veículos blindados anfíbios, drones e diversos meios de apoio, compondo um cenário realista de operações anfíbias modernas. A atividade contou ainda com a presença de observadores estrangeiros de oito países, Arábia Saudita, Argentina, Camarões, Egito, Espanha, França, Índia e Reino Unido, além de 12 servidores civis brasileiros, reforçando o caráter internacional e o interesse externo pelas capacidades anfíbias brasileiras.
O ponto culminante da Atlas Anfíbia ocorreu na praia de Itaoca, no Espírito Santo, com a execução do desembarque anfíbio propriamente dito. Nessa fase, foram empregados Carros Lagarta Anfíbios (CLAnf), viaturas blindadas capazes de realizar a transição direta do meio marítimo para o terrestre, elemento essencial para operações desse tipo. As ações incluíram a tomada de cabeceira de praia, reconhecimento inicial, progressão terrestre, emprego de drones táticos e apoio de artilharia, compondo um quadro completo das fases iniciais de uma operação anfíbia.
Segundo o Capitão de Mar e Guerra Aristone Leal Moura, Oficial de Operações do exercício, a Atlas Anfíbia representa um treinamento estratégico de elevada complexidade, fundamental para a manutenção da prontidão operacional da Marinha do Brasil. De acordo com ele, o exercício permite integrar plenamente os meios navais e de fuzileiros navais, explorando suas capacidades desde ações de patrulhamento e vigilância até operações mais complexas de defesa do litoral e proteção de áreas estratégicas, diretamente relacionadas à garantia da soberania nacional.
A Atlas Anfíbia encerrou um ciclo de atividades iniciado ainda em junho de 2025, quando a Operação Atlas teve sua fase de planejamento integrado realizada na Escola Superior de Defesa, em Brasília. Naquele momento, foram definidos procedimentos, conceitos operacionais e cenários estratégicos. Em setembro, ocorreu a etapa Atlas Armas Combinadas, em Formosa, Goiás, com o emprego de fogos reais e a integração de meios terrestres e aéreos. Na sequência, tropas e equipamentos foram deslocados estrategicamente para a Amazônia e para o litoral brasileiro.
A fase de exercício no terreno ocorreu entre os dias 2 e 11 de outubro, abrangendo os estados do Amapá, Amazonas, Pará e Roraima, com operações em ambientes terrestre, fluvial, marítimo e aéreo. A etapa anfíbia, iniciada no final de novembro, representou a culminação desse esforço conjunto, consolidando lições operacionais, testando a interoperabilidade entre as Forças e validando capacidades essenciais para a defesa do território nacional.
O encerramento da Operação Atlas 2025 com a Atlas Anfíbia reforça a importância das operações anfíbias no contexto estratégico brasileiro, em especial para um país com extensa faixa litorânea e vastas áreas marítimas de interesse. O exercício evidencia o papel da Marinha do Brasil como elemento central na defesa da Amazônia Azul e na capacidade de resposta a cenários complexos, reafirmando o valor do treinamento conjunto e da integração entre meios e forças como pilares da prontidão militar.
Imagens: Aerodefesanaval
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